quarta-feira, 6 de julho de 2011

Anedota e suas consequências

Embora constitua um corpus amplo do ponto de vista linguístico e sociológico,
o gênero anedota ainda é pouco trabalhado nas escolas. Neste roteiro, além
de um trabalho com os recursos que caracterizam esse gênero, pretende-se
despertar nos alunos o gosto pela contação de boas piadas, pois tal atividade
pode desenvolver habilidades de expressão oral e escrita, ampliando a
competência linguística do aluno.
Segundo o dicionário Aurélio, preconceito é um “conceito ou opinião
formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento
dos fatos; ideia preconcebida”.
Causa de discriminação, ele aparece muitas vezes de forma velada, não
explícita. E um dos veículos mais comuns e pouco reconhecidos como
portador de preconceito, por seu caráter humorístico, são as anedotas.
Esse não reconhecimento, entretanto, não estaria ligado a um ato cínico
de quem conta as piadas, mas sim à própria estrutura desse gênero
textual, visto que, de modo geral, as piadas não são acompanhadas de
seus autores (e, como sabemos, assumir autoria é ser responsável pelo
que se diz). Ao contar uma piada, ninguém nunca diz “vou contar uma
piada sobre papagaio, cujo autor é...”, mas “Você já ouviu aquela do
papagaio?...”. Esse caráter “anônimo”, por assim dizer, da piada, permitiria
tratar de assuntos recalcados, mal resolvidos em razão da “proibição” de
se falar abertamente de determinados assuntos.
Assim, se alguém deixa transparecer, por exemplo, o preconceito contra
homossexual, poderá, sofrer as sanções previstas na lei; mas se conta uma
piada sobre gays, o ato será apenas considerado, como comumente se
diz, uma simples “piada”, uma “brincadeira inocente” sem quaisquer
intenções discriminatórias.

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